Exército israelense assassinou pastor de 91 anos e dois adolescentes

 Walid Abu Oda mostra fragmentos da bomba israelense que matou seu filho

O Exército de Israel matou, com disparos de artilharia, um homem de 91 anos, seu neto, de 17, e um outro adolescente, de 16, na Faixa de Gaza. O crime ocorreu em setembro, mas somente agora está sendo divulgado, através da agência Ma'an, especializada no noticiário dos conflitos no Oriente Médio.
O idoso pastoreava um rebanho de ovelhas junto com os rapazes quando foram atacados. Na tarde de 12 de setembro, o velho pastor se juntou ao neto e outro adolescente, que traziam uma galinha. Eles prepararam um grelhado com o frango para marcar o feriado do Ramadan e, em seguida, os rapazes ajudaram o idoso com suas ovelhas em terras perto da fronteira com Israel. E então as bombas começaram a cair. O terceiro disparo, que os acertou já dentro de um celeiro, matou o trio, além de 29 das 30 ovelhas.
No dia seguinte, o Exército israelense descreveu os mortos como "três militantes e terroristas". De acordo com a Ma'an, a morte de Ismail Abu Oda, 16 anos (que teve a cabeça decepada pelos disparos de obuses), seu amigo Hussam Abu Sayed, 17, e o avô deste, Ibrahim Abu Sayed, 91, reforça os questionamentos sobre se Israel toma passos suficientes para trazêr seu exército em conformidade com o direito internacional humanitário.
O incidente foi similar a diversos anteriores, como os descritos no relatório da ONU conduzido pelo juiz Richard Goldstone, sobre a operação de limpeza étnica Chumbo Fundido, iniciada em dezembro de 2008 por Israel contra os palestinos da Faixa de Gaza.
Grupos de direitos humanos dizem que as mortes do idoso e dos dois adolescentes só reforçam a importância da implementação das responsabilizações apontadas pelo relatório Goldstone.
Uma investigação aberta mostrou que, pelo armamento utilizado, a intenção deliberada era de matar as três pessoas. Dias depois dos assassinatos, o Brigadeiro General Eyal Eisenberg admitiu em comunicado enviado aos jornalistas que "entendemos, a partir de uma reconstituição, que nós assumimos que as três vítimas não estavam envolvidas em ato de terror".
A declaração insiste, porém, que um dos palestinos teria apanhado um lançador de foguetes e apontado para as forças israelenses estacionadas ao longo da fronteira. À época, a imprensa internacional anunciou apenas que "três militantes" foram mortos na ação, sem informar os detalhes, como a idade das vítimas.  

Perda 
"Eu vi o meu filho no necrotério do hospital, sem a cabeça," disse Walid Abu Oda, pai de Ismail. O jovem havia sido decapitado por "flachetes", dardos metálicos contidos nos reservatórios de algumas bombas utilizadas por Israel. Ele mostrou à reportagem alguns dos flachetes que tinham sido encontrados perto do corpo, juntamente com um fragmento da estrutura do projétil. Perguntado pela reportagem como sentia a perda do filho adolescente, Walid respondeu: "Como você acha que se sente alguém que perde um filho, que vê o corpo do filho sem cabeça?"

Fonte: Jornal Agora
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