Manual do namoro para os 'varões' evangélicos

A exemplo da reunião das 'princesas', 'Culto dos Príncipes' lota clube em Copa com pregações pró-castidade e dicas para evitar 'cachorras'

Rio - Príncipe não pega cachorra, namora princesa. Este é apenas um dos ensinamentos do "Culto dos Príncipes", versão "clube do bolinha" do "Culto das Princesas", conduzido pela cantora Nãna Shara.

O responsável por doutrinar os varões evangélicos é o marido dela, o missionário Claudio Brinco, da Igreja Celular Internacional. E a plateia, atenta, anota as pregações como se fosse uma aula. No fim, enche o religioso de perguntas (leia algumas abaixo).

Terça-feira, 200 homens entre 18 e 30 anos — mulheres não entram — lotaram o salão do Clube Olympico, em Copacabana, para saber como se comportar. Sexo? “Só depois do casamento”, sentencia Brinco. Masturbação? Nem pensar. Beijo na boca?

“O de língua não é pecado. Mas comida também não é e leva à gula. Beijo é igual a forno elétrico. Liga em cima e esquenta embaixo”, compara.

De um iPad com capa rosa-chiclete, o missionário retira frases como “A merenda é só depois do recreio. Príncipe aguarda as ordens do Rei”, para defender a castidade.

Brinco conta que as tentações são diárias e é preciso ser forte. “Dia desses andava na calçada quando vi uma morena fenomenal. Eu sou homem, pô! Aqui tem testosterona!”, diz, batendo no braço.

“Enquanto todos os caras viraram o pescoço, encostei na parede e comecei a orar ao Senhor. Uma irmã aqui da igreja perguntou se estava passando mal. Disse para ela que não, só estava afugentando o demônio”, conta.
Nem nas redes sociais os pobres de sexo e ricos de espírito têm sossego. Para a igreja, não há distinção entre mundo real e virtual. “Não adianta ter uma vida regrada na realidade e ser libertino na vida virtual. Príncipe não tem álbum no Facebook. Não idolatra a própria imagem”, ensina Brinco.

Ao fim da pregação, missionário vira "consultor"

Veja algumas respostas de Claudio Brinco a perguntas feitas no fim do culto.

— Por que se masturbar é pecado se Deus nos fez de braços longos?
— Porque Ele te deu o direito de decidir para saber quem é príncipe. Masturbação é como ‘pegar geral’. “Ontem peguei a Vera Fischer, hoje a Malu Mader e mais tarde, a Madonna.”

— Ficar sem se masturbar dói. O que fazer?
— Pense na dor maior de Jesus na cruz e lembre a frase: “Pai, tire de mim este cálice.” Não é fácil, eu sei que não é.

— Com quantos anos posso namorar?
— Namoro no latim é fazer sexo. Não acho este verbo apropriado. Relacionamento entre príncipes e princesas deve ser de dois anos, depois casa. Porque ninguém aguenta tanto tempo sem avançar o sinal. Acho que aos 21 anos, tendo um ano de crente e já sendo batizado, você pode começar a pensar nisso.

— Onde posso encontrar a princesa da minha vida?
— Você não vai encontrar no baile funk do Borel. Vá procurar na igreja, que é onde Deus fez o chamado.

— Por que no nosso culto não entra princesa?
— Se tiver uma mulherzinha aqui, homem não ora, fica disperso. É bom que vocês só vejam outros homens aqui, tenham liberdade de falar abertamente sobre tudo.

— O que faço para conquistar uma princesa de verdade?
— Sem fazer xaveco, charme ou lábia. Um príncipe escolhe a sua princesa somente pelo que ela é.

— Como posso conquistar a confiança da família de uma princesa?
— Não comendo, irmão!

Reportagem de Valmir Moratelli, do iG Rio

Fonte: O Dia
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