PT tentará convencer PSC a não indicar pastor para Direitos Humanos da Câmara

São Paulo – Deputados do PT tentarão amanhã (5) convencer o PSC a indicar outro parlamentar que não seja o pastor Marco Feliciano para assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. O nome do evangélico começou a ser cogitado para o cargo depois que seu partido ganhou o direito de dirigir a comissão durante partilha realizada pelas maiores bancadas da Casa na última quarta-feira (27).

O PT resolveu priorizar as comissões de Constituição e Justiça, Defesa Nacional e Relações Exteriores e Seguridade Social e Família. "Queríamos ficar com Direitos Humanos e Minorias, era nossa quarta prioridade, mas não foi possível", explicou à RBA o deputado cearense José Guimarães, líder do PT na Câmara. "Frente ao que aconteceu, vamos discutir com o PSC um nome que seja mais palatável, que dialogue com os grupos da área. Não pode ser um deputado que interdite essa construção que há anos estamos fazendo na área."

Para Guimarães, a comissão tem um legado que deve ser mantido. "Não temos nada contra o pastor, mas o próximo presidente não pode acabar com tudo que construímos." Entre as principais realizações da comissão, o líder do PT enumera a defesa das minorias, o combate à violência homofóbica e a liberdade de escolha. "É a proteção que sempre fizemos das pessoas perseguidas."
'Presentinho de deus'

Em conversa telefônica com a RBA, o pastor Marco Feliciano disse que manteve intensas conversações com as lideranças do PSC durante o final de semana, mas não confirmou se será o nome escolhido pelo partido para assumir a Comissão de Direitos Humanos. "Depois de toda essa turbulência, tudo pode acontecer", afirmou, comemorando a polêmica em que se viu envolvido no final da semana passada. "Fiquei famoso da noite pro dia. Isso é bom para qualquer deputado."

Marco Feliciano voltou a dizer que o PSC não tinha pretensões de ficar com a Comissão de Direitos Humanos – preferiam a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle – e que tudo se tratou de uma coincidência. "Esse era o acordo, mas o PT mais uma vez nos traiu de última hora e nos deixou a ver navios", reclamou. "Somos sempre deixados de lado pelo governo. Temos mais deputados que o PCdoB e não temos nenhum ministério, por exemplo." Por isso, o deputado pastor argumenta que a presidência da Comissão de Direitos Humanos e toda a controvérsia em torno de seu nome foi um "presentinho de deus".

A RBA apurou que os deputados do PT pedirão a indicação do advogado Hugo Leal (PSC-RJ) para assumir a presidência da comissão. De acordo com os petistas, o parlamentar fluminense teria "mais condições" de exercer as funções exigidas pelo cargo. Ao que tudo indica, porém, a palavra final será do partido cristão, uma vez que o líder do PT, José Guimarães, afirmou que não existe a menor possibilidade de que os petistas abram mão de alguma das três comissões que já conseguiu para manter-se à frente dos Direitos Humanos.

Fonte: Rede Brasil Atual
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