"Sou evangélico, mas minha música não é restrita a um público", afirma Thalles Roberto, agora na Motown

Thalles Roberto surgiu como cantor gospel. Mas restringir o trabalho do artista a um nicho seria injusto. Embora algumas de suas letras tenham temática religiosas, o som de Thalles não é só gospel e bebe em fontes como funk, rock e o soul brasileiro da década de 70, como pode ser conferido em seu mais recente CD, IDE.

— Sou evangélico, levo trechos da bíblia para minhas letras, mas não concordo em ser chamado de cantor religioso. Minha música não é restrita para um público apenas. Quero atingir o maior número de pessoas possível.

Com essa ideologia, Thalles tem obtido sucesso no exterior. Nos últimos anos, ele deixou de ser conhecido apenas por aqui, para ganhar destaque também na américa latina e nos Estados Unidos. Essa exposição garantiu ao cantor um contrato com a Motown, clássico selo de música negra americana que revelou gente como Marvin Gaye, Stevie Wonder e Michael Jackson. O feito é relevante, já que ele é o primeiro músico brasileiro a conseguir essa façanha.

— Vou lançar primeiro um EP e depois um disco com músicas em espanhol e inglês por esse selo. Ao ser contratado pela Motown, vi reconhecido meu esforço em resgatar a sonoridade soul e funk.

Nessa nova fase, Thalles pretende variar cada vez mais os espaços em que se apresenta. A fase de tocar apenas em igrejas e espaços religiosos ficou para trás. O cantor é requisitado para feiras agropecuárias, aniversários de cidades e shows em casas noturnas voltadas ao público secular.

— Minha mensagem é pensada para ajudar todos [quem está na igreja, no terreiro ou embaixo da ponte]. Se a pessoa quer melhorar, é com ela que estou falando. Canto a palavra de um Deus que é de todos, não só dos evangélicos. Deus não tem dono.

Nesses espaços não religiosos, Thalles precisa presenciar fãs consumindo bebidas ou fumando. Ex-viciado em drogas e alcool, o cantor diz que não se incomoda com a situação e que o desafio dele é fazer com que as pessoas mudem de postura ao aceitar suas letras e testemunhos.

— Sempre fui muito claro sobre minha relação com as drogas. Nunca escondi nada. Já contei em livro como cheguei ao fundo do poço. Mas não me arrependo de nada e nem julgo as pessoas. Minha música é feita para ajudar quem quer se libertar dos vícios e do mal. Cada um que interprete e utilize a mensagem como quiser.

Fonte: R7
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